sábado, 10 de novembro de 2012

Uma tantalina Maldição



Para quem não tenha sofrido essa penosa e pesarosa experiência a que se dá o nome de exclusão, certamente não compreenderá o que se segue.
Dizem os psicólogos e o povo que a solidão mata. Ficará aqui expressa essa tortura que durante anos a fio poucos viveram. Sem sentirem ou sofrerem essa lúgubre e soturna experiência de ausência de pertença, viver numa ilha rodeada por lava, olhar para crianças a brincar alegremente e pensar consigo próprio: - Mais uns anitos, e odiar-me-ão.
Não compreenderá também o leitor o superno peso do silêncio. Querer falar o que nos vai na alma e não poder. Impedidos eternamente de dar opiniões em fóruns televisivos. Ser entrevistados por jornalistas que se interessam por aquilo que dizemos e, para alegre companhia... apenas Sartre.
Retratámos pois, o que durante anos a fio e até hoje sofremos. E qual o motivo desta sórdida maldição? ADORAMOS TODOS OS PRIMEIROS MINISTROS QUE PORTUGAL JÁ TEVE!!!!!!!
Quando dizemos todos, reafirmamos: - TODOS!
Contam-nos que, quando ainda crianças, éramos os primeiros a correr para a sala de forma a ouvir as conversas em família do professor Marcelo Caetano, e..., riamos..., riamos em júbilo como possuídos por Agápe, cada palavra era como um raio de sol em noite tenebrosa, cada frase... como a verbalização da divina Lúcifer. Meu Deus! Mas que irradiante era a sua simpatia! Simpatia essa aliás, apanágio dos doutíssimos professores de Direito.
Mas de todos, como não poderia deixar de ser, essa goliárdica figura que foi Sebastião José encontra aquele lugar de terno homizio em nosso coração.
Mas que homem! Ao ter abençoado a nação com a argêntea e sublime mesclação do liberalismo inglês, o absolutismo austríaco e com aquela pitada do melhor que a Santa Inquisição possuía, arvorou em aurialegria a mais bela, sincera e imperscrutável ideologia conhecida à santa Pátria.

É pois com sincera e perene consternação, que lemos e ouvimos por parte desses pedantes de loquaz jaez a que se dá o nome de filósofos, canalha esta, de cogitação em fátua porcela, que procede apenas na vida, nessa ignominiosa demanda pela verdade, tantas palavras sob o signo do fel e da maledicência. Que Deus lhes perdoe!
Acabando com a educação no País, colocando o pérfido grego a ruar, digno do grande Alexandre, Sebastião José deixou fluir com cândida ternura o maior acto de amor conhecido na nossa excelsa e longa história.
Diz o povo, que atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher. Para Dante, existiu Beatriz. Para o genial Camões, existiu Natércia. Para o Grandioso Sebastião José, existiu Dª Hortense.
Poucos estudos sérios e científicos foram efectuados sobre esta delicada e sapiente musa. Sabe-se no entanto, que era uma senhora de lenhoso e superior intelecto, pertencente a um circulo privado do santo Marquês, pois seguindo os últimos métodos científicos de perscrutação histórica, confirmou-se que era sua manicure.
Dotada de douta e acurada Sophia, lidando com homem de divina inteligência, foi fácil esse sonial matrimónio intelectual que inferiu na necessidade de trocar o néscio energúmeno de Estagira, pelo sagaz e abençoado António Genovesi. Pois contrariamente ao fútil e vanglorioso grego, António, era uma alma doce, caridosa e, um bom filho que dava muita atenção à sua mãe.
Afirmamos aqui e agora, que só um homem de everestina estatura, teria a titanica ideia de substituir a perversa educação, pela heróica instrução e por insignes valores tão altos como os acima referidos.
Recordamos também, que devido à nossa sincera simpatia e amizade pelos Primeiros Ministros portugueses, só à poucos anos conseguimos ultrapassar um trauma juvenil. Trauma este, despoletado pelo chumbo parlamentar ao governo de Nóbrega da Costa. Que Pena! Eles eram tão simpáticos.

Durante anos e anos, em estado de agónica sobrevivência, indagámos-nos vezes sem conta do porquê desta doce e suave paixão mas que tanto nos atormentava socialmente.
Foi então que à uns anos atrás, quando os nossos amigos americanos decidiram fazer um pacote de grandiosos filmes sobre o período clássico – Helena de Troia, Troia, Os 300, Etc.. -, que num momento de plena epifania obtivemos a resposta.
Numa semi-onírica cena de um destes filmes, apareceu-nos a ilustre e virtuosa figura de Agamémnon, sentado em cima de seu peliniveo cavalo, com seu saliente, magnífico e majestático porte, vestido com uma túnica de um nobre azulão - cor esta aliás, muito apreciada no segundo milénio antes de Cristo -, olhando imperialmente para extensão do areal onde formigavam os milhares de homens de seu exército.
Foi aí! Nesse momento! Como num segundo e acelerado filme, em indescritível afã intelectual, que colámos todas as figuras dos nossos excelsos Primeiros Ministros, àquela imagem do fantástico Agamémnon.
Um a um, vimos-los e ouvimos-los a falar com os marciais generais que os circundavam, interrogando: 

Ó... ó moçada... i... isto sou eu... ou... ou aquele cavalo é demasiado grande????????????

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